A Caixa

                 A Caixa Não se sabe ao certo quando ela apareceu. Nem o local, nem o porquê. Às vezes parece que ela sempre esteve ali, mas as coisas não aparecem do nada. Elas são transformadas de outras até chegarem à sua forma. Aí vem o impacto mundial! Todos a conhecem e querem colaborar, ser parte dela. Isso aconteceu com a Caixa. Ela nem sempre esteve presente, mas as pessoas não conseguiam imaginar suas vidas sem ela.

Pois bem! Nem todos foram afetados por ela. Assim como uma jovem de nosso país, Carolina, que cansada da rotina escolar, decidiu marcar um encontro com seus amigos na casa de um deles. Como todos confirmaram, ela foi animada com a perspectiva de um pouco de lazer e descanso compartilhado.

– Oi.- disse a menina ao entrar na casa de seu amigo, Antônio. Além dele, havia mais duas pessoas no recinto. Nem ele, nem elas responderam. Estavam impassíveis, não demonstravam nenhuma emoção ao ver a colega.

O jovem apenas permitiu que ela entrasse, indicando com sua cabeça enquanto prosseguia para o interior da sala de estar. Carolina podia ver o que acontecia. Os três estavam sentados em uma mesa que possuía um objeto sem nenhum valor no centro. Eles olhavam para ele como se estivessem em transe, como se suas vidas dependessem disso e fosse a única coisa que importasse. Era extremamente perturbador.

– Querem fazer alguma coisa? – perguntou Carolina com a esperança de que receberia um pouco de atenção. Como estava enganada! O único objeto digno naquele momento era uma caixa, que era encarada com adoração.

– Já estamos fazendo algo. – disse Antônio sem expressar nenhum sentimento.

– E o que seria isso?

– A Caixa.

– A Caixa?

– Sim. A Caixa.

– Como assim a Caixa?

– Estamos aproveitando o tempo com a Caixa.

– E por que vocês estão fazendo isso?

– Porque ela mudou nossas vidas. Agora, nós somos iguais. Podemos viver com as nossas diferenças de lado, pois, ela mantém a imagem do correto modo de ser em nossas mentes. Ela nos diz isso. Toda hora.

– Legal. Esse negócio não tem boca, mas fala, né!

– Não é um negócio. É a Caixa.

Eles continuavam parados, olhando para a Caixa, como se ela realmente falasse algo para eles. Aquilo era doente. De repente, começaram a rir. Mas não o riso de algo agradável, engraçado. Era um riso assustador, maníaco. Pareciam hienas.

Carolina decidiu que deveria sair de fininho e foi isso o que fez. Achava que os problemas acabariam quando saísse daquela casa. Mas, não! Na rua, pessoas andavam abraçadas às suas Caixas, corriam com elas e levavam para passear como se fosse um cachorro querido. Como estava enganada! Parecia que estava em um pesadelo sem fim. Mas era apenas a vida real.

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