A avó

grandma

Às vezes, pego-me olhando para ela. Minha neta. Ela faz três anos em junho. Lembro-me do dia que ela nasceu. Parecia um daqueles dias em que nada diferente acontece, nenhuma notícia, nenhuma polêmica, mas minha neta iria nascer. E aqui está ela, brincando, feliz; daquela maneira que só as crianças conseguem, analisando o mundo e aprendendo.

É estranho pensar que eu já fui uma criança, devido a todo esse tempo que passou, a tudo que vivi. Mas um dia fui que nem ela: pequena, curiosa, feliz. Não quero dizer que agora não consigo achar alegria em nada, ou que saiba tanto da vida que já não tenho mais nada para aprender. Se existe uma coisa que a vida me ensinou, é que nunca se sabe tudo.

Então, por que a gente entra numa vida para morrer sem saber tudo sobre ela? Talvez seja porque é na morte que se descobre o valor daquilo que se vivia. Naqueles momentos finais. Não é a toa que dizem que uma pessoa só aprende a dar valor a algo quando perde. Mas não consigo ter certeza. Mesmo depois de tanto tempo, ainda não tive nenhum momento em que pensasse que iria morrer.

Minha vida foi muito tranquila. Nunca fiz nada muito audacioso, talvez porque tinha medo, ou porque simplesmente não tinha vontade. Nunca tomei riscos, andei sempre pelo lado mais seguro dessa estrada que continuo caminhando. E agora estou aqui, sentada, na varanda de minha casa, olhando para minha neta. Ela está falando sozinha. Deve ser parte de uma daquelas brincadeiras de criança que não consigo mais entender.

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s