Pesca de sábado

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Decidi pescar como faço todos os sábados pela manhã na primavera. O tempo estava fresco e não exageradamente ensolarado. O que eu chamaria de perfeito se acreditasse em perfeição. Meu humor não era dos melhores, então o fato de que eu passaria os próximos minutos sentado em um barco, olhando para o horizonte, pensando em sei lá o quê, talvez fosse o melhor para a humanidade.

Rastejei até o lago. Já disse que não estava de bom humor? Pois bem. Entrei no barco e remei até uma área em que achava que a água estaria morna. Lancei a vara de pescar, e a movi logo que avistei leves depressões na água.

Só que em vez de peixe, vi algo estranho e sem forma se tornar um lugar azul e verde. Pessoas apareceram e começaram a construir cidades, pirâmides, templos e famílias. Várias famílias. De um lado vi um grande império se consolidar, de outro um cara morrendo e algumas pessoas a chorar. Algumas.

Vi culturas se transformando e pedaços de terras sendo tomados por homens que nem imaginava que estavam lá (as imagens passavam muito rápido). Tinha um povo pobre tentando se sustentar e alguns senhores bem vestidos em banquetes em que se discutia algo sobre impostos e indulgências. Mas as imagem continuaram mudando.

Um cara pregando uns papeis numa porta, vários homens navegando, naufragando e etc. Um monte de gente cansada trabalhando e uns senhores falando sobre uma tal de produtividade. Tinha um povo revoltado que tentava conquistar algo que parecia ser bonito, mas acho que não deu tão certo assim, levando em consideração as próximas cenas que vi.

Prédios se erguendo, mais cidades crescendo. Coisas explodindo, gente morrendo. Um lugar frio com mais gente revoltada tentando conquistar algo parecia ser legal. Não sei se deu certo. Mais construções e invenções. Quanta construção e invenção! Mas ao lado, algumas pessoas desesperadas e sem muita esperança apareceram, então não tenho mais certeza se deveria ficar positivamente surpreso com a quantidade de novidade.

Mais coisas explodindo e gente morrendo. Só que dessa vez tinha um cara com bigode engraçado, o que foi interessante a príncipio, mas logo ficou assustador devido a grande quantidade de pessoas com um pijaminha estranho que apareceram num canto. Foi um alívio quando aquilo acabou e apareceram mais cidades com mais prédios. Também havia pessoas com grandes sorrisos, mas  gesto não pareceu muito verdadeiro, já que no outro canto podia se ver mais algumas discretas explosões…

A cena se projetou além daquele lugar que não era mais tão verde e azul. Era um espaço escuro e cinza e lá estava uma pessoa com vestimentas excêntricas e uma bandeira na mão. Voltou para o lugar não mais tão colorido e não deu para entender muito bem o que aconteceu depois daquilo porque surgiu uma escuridão seguida de uma luz, e depois dela, a água se tornou apenas água.

Decidi ir embora, pois aquela pesca não estava sendo nada agradável. A água não estava para peixe.

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