Rose

Rose tinha um dos hábitos mais estranhos. Ela costumava escrever cartões e cartas de amor para ninguém. Isso mesmo. O local onde se anotaria o nome do destinatário sempre estava em branco, e os tantos papéis, depois de prontos, nunca saíam de um local específico: o quarto dela.

Pode-se dizer que as pessoas que conviviam com ela a achavam pelo menos moderadamente estranha. Afinal, não é todo dia que se vê uma garota tão absorta num pedaço de papel, que, às vezes, podia ter a forma de um coração. Só de vez em quando. Aliás, nesses tempos digitais, quase nunca. Por isso, algumas pessoas poderiam até ver no ato alguma espécie de delicadeza ou graciosidade.

No entanto, quando se aproximavam e decidiam perguntar a menina para quem era, ou, se porventura, ela estava apaixonada por alguém, ela se limitava e balançar sua cabeça em negação.

E era verdade. Rose não estava interessada em ninguém! Em nenhum aspecto, para ser mais exata. Aquela menina era muito silenciosa, indubitavelmente um mistério para todos que a cercavam. Alguns a consideravam incoerente e, sinceramente, muitos se incomodavam com sua aparente “falta de ter o que fazer”.

Mas ela não parava, de forma que o espaço em seu quarto se tornava cada vez mais escasso.

Para que todos aqueles papéis espalhados? Lamento informar que essa resposta só tem uma dona.

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