Mais um texto sobre o tempo

Não vejo a necessidade de me desgastar em um texto muito longo hoje. O excesso de palavas seria apenas um capricho, a ruminação de uma ideia totalmente gasta. Vejo o trabalho de escrever como perda de tempo neste dia em que, ironicamente, só consigo pensar sobre esse tal passar de horas e anos.

Pode ser que isso seja só mais uma fase. Afinal, nós, pessoas jovens, somos cheias delas. Contudo, posso, também, enxergar esse tal do tempo escorrer pelos vãos dos dedos. Acredito que esse seja um pensamento que abrange um pouco mais que um momento, e às vezes se torna a percepção de uma dura realidade, ou toma a forma de apenas mais um monstro que mora embaixo da sua cama.

Seja por causa da pressa, da impaciência, do cansaço, do tédio, da saudade… Sempre existe um motivo para arranjar uma briga com ele. Desde motivos mais reflexivos, como o fim de uma época, à situações mais triviais, como ao esperar sua comida ser esquentada no microondas.

O relógio se movimenta e a gente se surpreende. É como se ele risse da gente. Fico pensando como seria se nós tivéssemos mais coragem e ríssemos dele também…

(Às vezes parece que eu só escrevo sobre o tempo. Socorro)

O que fazemos (parte 2)

Quando nos achamos tão inteligentes, devemos lembrar que nem conseguimos entender o que é o amor. Podemos explicar porque as frutas caem das árvores e como se fazem os dias e as noites, mas não conseguimos conceituar o que é amar.

Pior do que não conseguir falar sobre algo é não poder realizar este ato. Aliás, pior ainda é pensar que se sabe quando não há conhecimento algum. Deixar-se enganar pela futilidade com que tratam o assunto e acreditar que não passa daquilo que se vê. Conformar-se com a situação do mundo, estar anestesiado pelos grilhões da falta de consciência.

Quero dizer, se realmente amássemos as pessoas à nossa volta, como nos comportaríamos? Se fizéssemos isso, acredito que teríamos uma postura bem diferente. Afinal, se amássemos o outro como a nós mesmos não seríamos capazes de fazer mal a ele.

Dessa forma, o amor não seria só um sentimento, mas uma atitude, um modo de viver. Algo que envolveria a todos como um abraço invisível e impossível de se libertar. Seria mais denso que uma simples palavra, e embora tão difícil de se compreender, suave. Seria único e indestrutível.

O amor que tanto procuramos deveria começar com “A” maiúsculo.

“Portanto, agora existem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. Porém a maior delas é o amor” 1.Coríntios 13.13

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Link para o texto “O que fazemos”

Cabelo cacheado: minha história

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Lembro-me de muitas reflexões feitas por mim quando era criança, acerca do meu cabelo. Na minha turma, era uma das únicas meninas com cabelo cacheado, e isso parecia um pouco estranho. Afinal, as outras podiam pentear o cabelo quando quisessem e fazer penteados que nunca ousaria. Como eu queria passar o tempo penteando meu cabelo! Por causa disso, posso dizer que minha autoestima era bem frágil durante a infância, apesar de não admitir. Não me sentia confortável com o fato de os outros serem capazes de ver fraqueza em mim.

Enquanto crescia, essa questão me perturbava e fazia com que me questionasse quanto ao motivo daquilo tudo. Por que as pessoas “bonitas” sempre tinham cabelo liso? Por que a maioria dos personagens legais da TV tinha o cabelo liso? Por que quando alguém passava por uma transformação na aparência mudava o cabelo do cacheado para o liso? Por que chamavam o cabelo cacheado/crespo de “cabelo ruim”? (Nisso, eu me sentia profundamente ofendida). E até, por que a Mia, do Diário da Princesa teve que ficar com o cabelo liso em vez de simplesmente arrumar o cabelo cacheado dela? Amo o filme, mas essa pergunta realmente martelava a minha mente.

Mesmo questionando tanto o assunto, não conseguia me sentir melhor. Ouvia muitos “seja você mesmo” por todos os lados, mas tudo parecia uma grande contradição. Se eu tinha que ser “eu mesma”, por que parecia existir certa pressão em me parecer com os outros, seguir um ideal?

Quando tinha uns doze anos, muita gente que eu conhecia estava fazendo alisamento e seguindo um comportamento em comum. Foi a época em que mais me senti deslocada e deprimida. Queria ser eu mesma, mas parecia errado. Com isso, o dilema do cabelo se intensificou. Até porque, na época, ainda não sabia como cuidar do meu cabelo, e nem tinha quem me ensinar.

Resisti por dois anos e finalmente me submeti a um processo químico com o objetivo de reduzir o volume do meu cabelo. O resultado era liso em cima, com alguns cachos embaixo. No início, amei. No entanto, cabelo cresce, e não é só porque você alisou que seu cabelo vai deixar de ser cacheado. A raiz crescia e eu tinha que dar um jeito naquilo, ou ficaria com uma aparência muito estranha.

Foi um período em que eu me sentia escravizada. Presa pela aparência. Não podia sair em um dia de chuva sem me preocupar com o cabelo. Era muito estressante e desnecessário. Uma espécie de sofrimento que eu mesma me impunha.

No meio de 2012, era hora de repetir o mesmo processo. Contudo, enquanto me olhava no espelho do salão, percebi que eu não queria mais aquilo  para mim. Não era certo colocar um estereótipo, um modelo, um modo de pensar que me fazia tão mal à frente da minha vida. Passaria a me ver como sou, trabalharia para ser a menina que Deus criou e não o que o mundo inteiro achava certo. Então, prometi a mim mesma que não faria aquilo novamente e tentaria usar o meu cabelo natural. Até porque estava com muita saudade de vê-lo.

A mudança interior foi fundamental para que existisse uma mudança exterior.

Em 2013, passei por transição capilar, o que não foi tão difícil para mim, porque meu cabelo não estava liso e sim, ondulado. Mesmo assim, tinha uma aparência um pouco estranha e não sabia muito bem o que ia sair daquilo. Apesar disso, valeu muito a pena. Aprendi que cabelo cacheado pode ser muito prático, comecei a me sentir livre e mais tranquila.

Aliás, não estamos apenas falando sobre cabelo aqui. A aceitação pessoal que tudo isso envolve é a questão principal. Sair de um lugar escuro para usufruir da luz. Quem eu era não imaginava que algum dia teria tanta confiança em simplesmente ser quem é. Com isso, aprendi a viver o “seja você mesmo”. Se fosse só cabelo, nem valeria a pena.

Tentei resumir ao máximo um pouco do que vivi nos últimos anos. Poderia escrever muitas páginas sobre isso, e provavelmente escreverei.

Só vamos deixar uma coisa bem clara aqui: cabelo cacheado/crespo não é ruim. Não existe cabelo ruim.

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(Um agradecimento especial a Rayza Nicácio, que possui um canal lindo que apareceu na hora certa)

O que fazemos

Somos muito inteligentes. Afinal, desenvolvemos  a escrita, criamos leis, estabelecemos governos. Refletimos muito sobre a natureza ao nosso redor e sobre nós mesmos, do que somos feitos. Espalhamos ideias por todos os cantos, inventamos tantas religiões, agarramo-nos a conceitos que para nós explicam-se por si sós, pelo simples fato de não os entendermos.

Fomos capazes de inventar todo o tipo de objetos e de viver confortavelmente. Construímos casas, mansões, prédios altíssimos. Desenvolvemos dispositivos para não nos sentirmos incomodados com as condições nem sempre favoráveis da natureza. Criamos modos de nos comunicarmos com quem quisermos a qualquer momento.

Mas também fazemos guerra. Brigamos por motivos que parecem maiores do que nós mesmos. Destruímos o que foi feito por nossas próprias mãos. Permitimos que a intolerância seja um caminho a ser percorrido. Valorizamos com base em conceitos nem um pouco honrosos, e esquecemos aquilo que necessita de atenção.

Vivemos muito mais que 2015 anos. Isso é certo. Carregamos o conhecimento de uma idade que pode até parecer avançada. Mas, ainda assim, parece-me que não sabemos quase nada.

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2015

2015

Sempre amei fins e inícios de ano. As lembranças que o término e a esperança que o começo trazem me inspiram bastante. Fico cheia de ideias, planos, vontades… De uma maneira diferente do meio do ano. É meio estranho, mas tento aproveitar ao máximo.

No início de 2014, eu estava temerosa quanto ao ano que consideraria um dos mais corridos da minha vida. Acreditava que seria um estresse sem limites, e não poderia criar muitas expectativas de momentos divertidos e tranquilidade. Errei quanto a isso, graças a Deus. Apesar de realmente não ter tido tempo para muitas atividades além de estudar (como pode ser visto pela minha ausência no blog), posso considerar o ano passado como um dos melhores da minha vida. Conheci pessoas incríveis, cultivei antigas amizades, vivi intensamente… Quero dizer, o máximo de intensidade que você pode ter em um dia a dia recheado de lista de exercícios e simulados. Mas está valendo. Em cada momento, eu tinha pessoas preciosas para compartilhar risadas, piadas, “doideiras”, conflitos internos, emoções desgastantes… Tudo o que um último ano de colégio poderia abrigar.

Se eu tenho expectativas para 2015? Por incrível que pareça, não estou pensando tanto nisso. Claro que pretendo me organizar muito bem em relação àquilo que farei, na medida do possível. No entanto, se existe uma coisa que os últimos tempos me ensinaram foi a viver um dia de cada vez e não estar ansiosa por nada. Afinal, tudo deve acontecer em algum momento. Para que sofrer por antecipação? Para que se sentir ansioso por futuros que nem se sabe se acontecerão? Ou melhor ainda, para que sentir angústia por coisas tão efêmeras?

Mesmo assim, existe algo que eu espero deste ano. Quero aprender muito sobre a vida, sobre o existir. Criar e me expressar de uma forma cada vez mais sincera, e poder compartilhar isso com os outros. Com tudo, ser todos os dias uma pessoa melhor.

“Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades” Mateus 7:34 (NTLH)

Acho que seria interessante entrar neste ano novo de contos e poesia (além de resenhas e outros tipos de posts, é claro) com uma breve retrospectiva do que aconteceu ano passado. Que tal ler alguns posts de 2014?

Fim de mais um dia

Um momento musical

Playground

Gratidão

Minha antítese pessoal

Conceito

O propósito de escrever: alguns esclarecimentos e uma reflexão sobre o poema “Vendaval”

Baunilha, chocolate ou misto?

Um olhar para si mesmo

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