O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder

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Lembro-me de como este livro me impactou na primeira vez que li. Tinha apenas 14 anos e estava empolgada em relação a esse escritor norueguês que havia “descobrido” após a leitura de outro livro seu, “O Dia do Curinga”. No entanto, não imaginava que ele surtiria um efeito tão grande na minha vida. Aliás, ainda não compreendia muito bem o seu conteúdo, afinal, não havia tido aulas de Filosofia.

Na segunda leitura, não só as memórias vieram à tona, mas também pude enxergar mais a fundo as entrelinhas e entender melhor o que o autor queria dizer. Certamente, não é o tipo de livro que se lê apenas uma vez, e garanto que relerei mais algumas vezes durante a minha vida. Esses livros que marcam a gente são difíceis de deixar para trás…

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Enfim, acredito que muitos leitores podem estar um pouco confusos, já que não comecei o texto falando sobre o enredo em si. Para quem não sabe, uma sinopse: Sofia, uma garota norueguesa que está às vésperas de seu aniversário de 15 anos, recebe um bilhete anônimo com os dizeres “quem é você?”. A partir daí, começa a receber um curso de filosofia de graça de um desconhecido. Mas não é só isso. Ela também começa a receber uns cartões de um major no Líbano, endereçados a uma tal de Hilde, filha dele, que faz aniversário no mesmo dia que ela. Em torno desse mistério e de muitas lições filosóficas desenvolve-se o livro.

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Espera… Um livro sobre Filosofia não deveria ser chato? Não, meu caro amigo. A linguagem utilizada é bem simples, voltada a pessoas jovens. Além disso, a curiosidade em relação aos eventos ocorridos não permite que você abandone a leitura e, para um leitor atento, alguns momentos podem até causar assombro. Acho que meu coração acelerou algumas vezes durante a leitura (lol sem comentários)

Apesar de ter gostado tanto, admito que demorei bastante para terminar essa leitura. Nas duas vezes, acredito que levei aproximadamente um mês. Às vezes, precisava de um tempo para processar tudo aquilo que havia lido.

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Recomendo para todos, mas principalmente para aqueles que se encontram no meu estado durante a primeira leitura. Fez a diferença quando entrei no Ensino Médio, pois senti que minha cabeça estava muito mais aberta para o conhecimento, ou melhor, me sentia “na ponta dos finos pelos do coelho”, fazendo referência à uma metáfora do livro.

“Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem nas pontas dos finos pelos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pelos, lá em cima”. p.31

(Sim, minha edição é antiga, e admito que não gostei tanto da nova capa quanto dessa. Ah, mais uma coisa: sim, este post provavelmente representa uma volta das resenhas na minha vida. Amém.)

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Separados pelo espaço e tempo

Foto de Paulo Otávio Diniz Rodriguez

Foto de Paulo Otávio Diniz Rodriguez

Algumas pessoas a gente nunca esquece.

Sigo em frente com minha fria rotina, mas não consigo evitar pequenos detalhes que me fazem lembrar daqueles momentos tão especiais. Na época, considerava mais um dia vivido. Agora, no mundo das lembranças, algo cheio de sentido.

Todas as risadas, piadas, besteiras e dramas alimentados pela intensidade de uma fase formam essa nuvem de nostalgia. O que um dia era motivo de grande ansiedade, torna-se apenas uma memória antiga.

A saudade chega, mas eu entendo que tudo deve permanecer onde está. Cada um encontrando o seu lugar. Uma corrida rumo a assuntos que podemos um dia ter até discutido sobre. A realidade chegou e temos que correr. Mesmo que isso signifique um “pra sempre” sem te ver.

A prova de que a amizade é verdadeira está no meu sorriso quando vejo que algo deu certo para você. Alegro-me com cada vitória sua, apesar de não estar presente quando elas vêm a acontecer.

Desejo que você viva plenamente, desfrute de toda alegria eterna.

(Uma homenagem a todos os amigos que passaram pela minha vida)

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Cabelo cacheado: minha história

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Lembro-me de muitas reflexões feitas por mim quando era criança, acerca do meu cabelo. Na minha turma, era uma das únicas meninas com cabelo cacheado, e isso parecia um pouco estranho. Afinal, as outras podiam pentear o cabelo quando quisessem e fazer penteados que nunca ousaria. Como eu queria passar o tempo penteando meu cabelo! Por causa disso, posso dizer que minha autoestima era bem frágil durante a infância, apesar de não admitir. Não me sentia confortável com o fato de os outros serem capazes de ver fraqueza em mim.

Enquanto crescia, essa questão me perturbava e fazia com que me questionasse quanto ao motivo daquilo tudo. Por que as pessoas “bonitas” sempre tinham cabelo liso? Por que a maioria dos personagens legais da TV tinha o cabelo liso? Por que quando alguém passava por uma transformação na aparência mudava o cabelo do cacheado para o liso? Por que chamavam o cabelo cacheado/crespo de “cabelo ruim”? (Nisso, eu me sentia profundamente ofendida). E até, por que a Mia, do Diário da Princesa teve que ficar com o cabelo liso em vez de simplesmente arrumar o cabelo cacheado dela? Amo o filme, mas essa pergunta realmente martelava a minha mente.

Mesmo questionando tanto o assunto, não conseguia me sentir melhor. Ouvia muitos “seja você mesmo” por todos os lados, mas tudo parecia uma grande contradição. Se eu tinha que ser “eu mesma”, por que parecia existir certa pressão em me parecer com os outros, seguir um ideal?

Quando tinha uns doze anos, muita gente que eu conhecia estava fazendo alisamento e seguindo um comportamento em comum. Foi a época em que mais me senti deslocada e deprimida. Queria ser eu mesma, mas parecia errado. Com isso, o dilema do cabelo se intensificou. Até porque, na época, ainda não sabia como cuidar do meu cabelo, e nem tinha quem me ensinar.

Resisti por dois anos e finalmente me submeti a um processo químico com o objetivo de reduzir o volume do meu cabelo. O resultado era liso em cima, com alguns cachos embaixo. No início, amei. No entanto, cabelo cresce, e não é só porque você alisou que seu cabelo vai deixar de ser cacheado. A raiz crescia e eu tinha que dar um jeito naquilo, ou ficaria com uma aparência muito estranha.

Foi um período em que eu me sentia escravizada. Presa pela aparência. Não podia sair em um dia de chuva sem me preocupar com o cabelo. Era muito estressante e desnecessário. Uma espécie de sofrimento que eu mesma me impunha.

No meio de 2012, era hora de repetir o mesmo processo. Contudo, enquanto me olhava no espelho do salão, percebi que eu não queria mais aquilo  para mim. Não era certo colocar um estereótipo, um modelo, um modo de pensar que me fazia tão mal à frente da minha vida. Passaria a me ver como sou, trabalharia para ser a menina que Deus criou e não o que o mundo inteiro achava certo. Então, prometi a mim mesma que não faria aquilo novamente e tentaria usar o meu cabelo natural. Até porque estava com muita saudade de vê-lo.

A mudança interior foi fundamental para que existisse uma mudança exterior.

Em 2013, passei por transição capilar, o que não foi tão difícil para mim, porque meu cabelo não estava liso e sim, ondulado. Mesmo assim, tinha uma aparência um pouco estranha e não sabia muito bem o que ia sair daquilo. Apesar disso, valeu muito a pena. Aprendi que cabelo cacheado pode ser muito prático, comecei a me sentir livre e mais tranquila.

Aliás, não estamos apenas falando sobre cabelo aqui. A aceitação pessoal que tudo isso envolve é a questão principal. Sair de um lugar escuro para usufruir da luz. Quem eu era não imaginava que algum dia teria tanta confiança em simplesmente ser quem é. Com isso, aprendi a viver o “seja você mesmo”. Se fosse só cabelo, nem valeria a pena.

Tentei resumir ao máximo um pouco do que vivi nos últimos anos. Poderia escrever muitas páginas sobre isso, e provavelmente escreverei.

Só vamos deixar uma coisa bem clara aqui: cabelo cacheado/crespo não é ruim. Não existe cabelo ruim.

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(Um agradecimento especial a Rayza Nicácio, que possui um canal lindo que apareceu na hora certa)

O que fazemos

Somos muito inteligentes. Afinal, desenvolvemos  a escrita, criamos leis, estabelecemos governos. Refletimos muito sobre a natureza ao nosso redor e sobre nós mesmos, do que somos feitos. Espalhamos ideias por todos os cantos, inventamos tantas religiões, agarramo-nos a conceitos que para nós explicam-se por si sós, pelo simples fato de não os entendermos.

Fomos capazes de inventar todo o tipo de objetos e de viver confortavelmente. Construímos casas, mansões, prédios altíssimos. Desenvolvemos dispositivos para não nos sentirmos incomodados com as condições nem sempre favoráveis da natureza. Criamos modos de nos comunicarmos com quem quisermos a qualquer momento.

Mas também fazemos guerra. Brigamos por motivos que parecem maiores do que nós mesmos. Destruímos o que foi feito por nossas próprias mãos. Permitimos que a intolerância seja um caminho a ser percorrido. Valorizamos com base em conceitos nem um pouco honrosos, e esquecemos aquilo que necessita de atenção.

Vivemos muito mais que 2015 anos. Isso é certo. Carregamos o conhecimento de uma idade que pode até parecer avançada. Mas, ainda assim, parece-me que não sabemos quase nada.

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