O Susto

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Um dos colegas de trabalho de Carlos tinha um hábito muito estranho. Quando menos se esperava, lá estava ele atrás de alguma porta, pronto para assustar a primeira pessoa que passasse.

Todo mundo se perguntava se era alguma coisa de infância ou algum trauma. Mas parecia mesmo um hobbie. O moço, definitivamente, parecia satisfeito com aquilo que fazia, apesar de não perceber a impressão que causava em seus colegas.

– Totalmente anormal – disse uma secretária do escritório, certa vez – Uma vez li numa revista que é assim que os psicopatas começam a demonstrar seu comportamento.

Não se sabe da credibilidade da fonte, mas, de fato, aquele comportamento era um pouco perturbador.

Numa terça feira à tarde, ele se encontrava atrás da porta novamente, quando Carlos estava prestes a passar.

– Bu! – exlamou.

– AH, oi… Você novamente. Tudo bem?

– Oi, Carlos! Não sabia que era você. Tudo ótimo e contigo?

– Ótimo, porém um tanto surpreso, por assim dizer.

– Por quê? Alguma novidade?

– Nada muito relevante ou fora do comum. Coração um pouco acelerado ultimamente, acho que é de família. E todo esse negócio do dólar subindo tão rápido. Acho que este ano não conseguirei fazer aquela viagem nas férias.

– Pois é, quando a vida te assusta você dá um grito.

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O que fazemos

Somos muito inteligentes. Afinal, desenvolvemos  a escrita, criamos leis, estabelecemos governos. Refletimos muito sobre a natureza ao nosso redor e sobre nós mesmos, do que somos feitos. Espalhamos ideias por todos os cantos, inventamos tantas religiões, agarramo-nos a conceitos que para nós explicam-se por si sós, pelo simples fato de não os entendermos.

Fomos capazes de inventar todo o tipo de objetos e de viver confortavelmente. Construímos casas, mansões, prédios altíssimos. Desenvolvemos dispositivos para não nos sentirmos incomodados com as condições nem sempre favoráveis da natureza. Criamos modos de nos comunicarmos com quem quisermos a qualquer momento.

Mas também fazemos guerra. Brigamos por motivos que parecem maiores do que nós mesmos. Destruímos o que foi feito por nossas próprias mãos. Permitimos que a intolerância seja um caminho a ser percorrido. Valorizamos com base em conceitos nem um pouco honrosos, e esquecemos aquilo que necessita de atenção.

Vivemos muito mais que 2015 anos. Isso é certo. Carregamos o conhecimento de uma idade que pode até parecer avançada. Mas, ainda assim, parece-me que não sabemos quase nada.

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