Entre teclas e sílabas: o que sinto quando escrevo?

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Photo by Oliver Thomas Klein on Unsplash

Tenho 22 textos salvos nos meus rascunhos. Ainda assim, tenho a audácia de começar mais um. Isso significa muita coisa. E não tenho muito orgulho, admito. Toda essa mania de “guardar as coisas na gaveta” pode até ser considerada uma grande falta de respeito. Pobres ideias enjauladas.

A verdade é que esse costume perdura há alguns anos. Minha mente fica cheia dessas faíscas de ideias que nunca tomam forma. Mas elas querem ser alguém, tomar posse da sua identidade como criação. Essa emancipação, entretanto, é adiada pela falta de tempo, pela mudança de perspectivas.  Às vezes, depois de alguns dias, também já não acho a ideia tão boa assim, e fica por aí. Esses fatores bem comuns que todo mundo conhece.

Fico intrigada com os sentimentos que circundam o meu processo de desistência de um projeto. Por menor que seja. Começa com alguns questionamentos inocentes: Será que devo escrever tudo de uma vez? Será que me identifico com isso? Até que fica mais perigoso: Será que é original? Será que alguém vai ler? Mas, alguém precisa ler? Quem e o quê mede essas coisas? E, se não for isso, será que a ideia é original? É esse o meu objetivo?

Percebi que questionar demais pode estrangular uma boa ideia. Colocar tanta pressão em algo que nem existe é quase como especular acerca da futura profissão de um bebê que ainda nem sabe andar. Agora, dar a liberdade para os primeiros passos e a vivência de novas experiências ensina perseverança. A descoberta de um ser inteiro dotado de interesses e escolhas, o que realmente importa.

Quando começo a escrever, prefiro deixar a pressão de lado, e pensar em como amo o barulho do teclado, por exemplo. Amo ver as palavras se formando, adquirindo significados. É satisfatório. O prazer está nas palavras. Nelas existem possibilidades infinitas que eu nem imagino. Elas são minhas naquele momento, mas eu não apenas falo por elas. Elas também falam comigo. Por isso, escrever é tão bom.

Essa é a sensação que quero ter quando publico qualquer coisa, ou faço algum trabalho. De que cada minuto foi um momento de perseverança e aprendizado. E cada segundo foi uma viagem no meio das possibilidades. Um novo universo presenteado pelas palavras. Deixo o branco e preto da tela adquirir várias cores na minha imaginação. Isso é fantástico.

Agora há pouco, iniciei mais um rascunho. Dessa vez, pelo menos, deixo este texto completo. Dei a ele tudo o que podia, e em troca, recebi mais uma experiência com as palavras. Por enquanto. Quando o reler, será outra história. Confiar nisso me satisfaz.

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O que fazemos (parte 2)

Quando nos achamos tão inteligentes, devemos lembrar que nem conseguimos entender o que é o amor. Podemos explicar porque as frutas caem das árvores e como se fazem os dias e as noites, mas não conseguimos conceituar o que é amar.

Pior do que não conseguir falar sobre algo é não poder realizar este ato. Aliás, pior ainda é pensar que se sabe quando não há conhecimento algum. Deixar-se enganar pela futilidade com que tratam o assunto e acreditar que não passa daquilo que se vê. Conformar-se com a situação do mundo, estar anestesiado pelos grilhões da falta de consciência.

Quero dizer, se realmente amássemos as pessoas à nossa volta, como nos comportaríamos? Se fizéssemos isso, acredito que teríamos uma postura bem diferente. Afinal, se amássemos o outro como a nós mesmos não seríamos capazes de fazer mal a ele.

Dessa forma, o amor não seria só um sentimento, mas uma atitude, um modo de viver. Algo que envolveria a todos como um abraço invisível e impossível de se libertar. Seria mais denso que uma simples palavra, e embora tão difícil de se compreender, suave. Seria único e indestrutível.

O amor que tanto procuramos deveria começar com “A” maiúsculo.

“Portanto, agora existem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. Porém a maior delas é o amor” 1.Coríntios 13.13

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