De texto em texto, chego a esse texto

writingHá tanto tempo fiquei longe daqui que nem lembro mais o porquê. Distante, olhando pela janela, não era necessário me expor ao movimento. No caso, o movimento das palavras que fluem no feed, ou até das notificações diárias que, por mim, até poderiam ser mais esparsas.

É engraçado pensar que em algum momento já fui mais participante nelas. Mais precisamente, tentava ser parte delas pelo menos três vezes por semana. E era bom. Era legal. Ter um blog para falar de livros, e escrever sobre as pecinhas que iam se ligando no quebra cabeças da minha mente me agradava, me satisfazia. Não tinha motivo. A intensidade e a espontaneidade da adolescência davam conta do recado. Preenchiam a tela em branco e me levavam a um hobbie que me influenciaria de uma forma bem diferente do que eu imaginava.

Posso ver o quanto isso foi bom. Repito as palavras de tantas pessoas mais velhas que insistem em alertar: “eu era feliz e não sabia”. Realmente, não tinha ideia. Mas não vou gastar as próximas palavras em uma reflexão sobre como a sabedoria da maturidade nos faz enxergar aquilo que não entendíamos no passado. Vou deixar a Letícia mais jovem levar pelo menos parte do crédito dessa vez.

Na época em que escrever 200 palavras para mim era quase um suplício, eu tinha uma vantagem. Cada palavra escrita era uma fantasia, um assombro, uma realidade. Elas eram o que quisessem ser. Depois de publicadas, corriam livres. Mal se vinculavam a mim. Embora eu quisesse ser dona delas, não precisava. E elas não precisavam de mim.

Digo isso porque sei que hoje isso não funcionaria da mesma forma. Se eu publico algum texto, ele é meu. Ele corre comigo. Eu me prendo a ele. Isso fica ainda mais grave a partir do momento em que sou uma pessoa que, em pelo menos duas áreas um tanto diferentes da vida, dedica-se a escrever. A vida adulta prende as suas garras e segura aquilo que antes trazia um vislumbre de liberdade. Agora, a responsabilidade anda de mãos dadas com o significado. “Isso pode ser importante pra sua vida profissional algum dia, quem sabe. Não seja tola.”, ela me diz.

E me questiono se realmente precisa ser assim. Pelo menos em seu aspecto mais emocional, caso o mundo concreto não tenha redenção. Aquela intensidade e espontaneidade ainda podem reinar em algum lugar além de um caderno de anotações secreto, ou um rascunho nunca inacabado. Elas podem ser justamente o que liberta das garras. Aquilo que cria um novo significado para um dia de trabalho, que faz a responsabilidade pensar em quem ela realmente é.

Parece coisa de doido. Mas não é uma ruptura tão grande assim. O que proponho não é nada mais que uma atitude de coragem. Nos momentos em que a vida parece óbvia demais, sempre podemos fazer algo novo. Ou melhor ainda: trazer à tona aquilo que amávamos fazer e deixamos de lado. Se crescemos a partir de quem éramos no passado, lá ainda pode existir alguma coisa para aprender – e, quem sabe, surpreender.

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Mais um texto sobre o tempo

Não vejo a necessidade de me desgastar em um texto muito longo hoje. O excesso de palavas seria apenas um capricho, a ruminação de uma ideia totalmente gasta. Vejo o trabalho de escrever como perda de tempo neste dia em que, ironicamente, só consigo pensar sobre esse tal passar de horas e anos.

Pode ser que isso seja só mais uma fase. Afinal, nós, pessoas jovens, somos cheias delas. Contudo, posso, também, enxergar esse tal do tempo escorrer pelos vãos dos dedos. Acredito que esse seja um pensamento que abrange um pouco mais que um momento, e às vezes se torna a percepção de uma dura realidade, ou toma a forma de apenas mais um monstro que mora embaixo da sua cama.

Seja por causa da pressa, da impaciência, do cansaço, do tédio, da saudade… Sempre existe um motivo para arranjar uma briga com ele. Desde motivos mais reflexivos, como o fim de uma época, à situações mais triviais, como ao esperar sua comida ser esquentada no microondas.

O relógio se movimenta e a gente se surpreende. É como se ele risse da gente. Fico pensando como seria se nós tivéssemos mais coragem e ríssemos dele também…

(Às vezes parece que eu só escrevo sobre o tempo. Socorro)

O que fazemos (parte 2)

Quando nos achamos tão inteligentes, devemos lembrar que nem conseguimos entender o que é o amor. Podemos explicar porque as frutas caem das árvores e como se fazem os dias e as noites, mas não conseguimos conceituar o que é amar.

Pior do que não conseguir falar sobre algo é não poder realizar este ato. Aliás, pior ainda é pensar que se sabe quando não há conhecimento algum. Deixar-se enganar pela futilidade com que tratam o assunto e acreditar que não passa daquilo que se vê. Conformar-se com a situação do mundo, estar anestesiado pelos grilhões da falta de consciência.

Quero dizer, se realmente amássemos as pessoas à nossa volta, como nos comportaríamos? Se fizéssemos isso, acredito que teríamos uma postura bem diferente. Afinal, se amássemos o outro como a nós mesmos não seríamos capazes de fazer mal a ele.

Dessa forma, o amor não seria só um sentimento, mas uma atitude, um modo de viver. Algo que envolveria a todos como um abraço invisível e impossível de se libertar. Seria mais denso que uma simples palavra, e embora tão difícil de se compreender, suave. Seria único e indestrutível.

O amor que tanto procuramos deveria começar com “A” maiúsculo.

“Portanto, agora existem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. Porém a maior delas é o amor” 1.Coríntios 13.13

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